Com a morte de El Mencho, PCC fica mais forte e ‘mais profissional’ que cartéis mexicanos, afirma especialista

27 de fevereiro de 20263110
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A morte de Nemesio Oseguera, o “El Mencho”, pode redesenhar o mapa do crime organizado na América Latina e abrir espaço para o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC), apontam especialistas. Considerado um dos narcotraficantes mais procurados do mundo, ele comandava o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e morreu em operação conjunta entre México e Estados Unidos, realizada no município de Tapalpa, no Estado de Jalisco.

A ofensiva foi tratada por autoridades mexicanas e norte-americanas como um duro revés ao narcotráfico. No entanto, para o pesquisador Roberto Uchôa, ex-integrante da Polícia Federal e estudioso do tema, o desdobramento pode ter reflexos diretos no Brasil.

Segundo ele, o provável enfraquecimento do CJNG — diante de disputas internas pela sucessão — pode gerar uma fragmentação do cartel, cenário que abriria brechas estratégicas no tráfico internacional. Nesse contexto, o PCC estaria bem posicionado para ampliar sua influência, especialmente nas rotas de cocaína e drogas sintéticas rumo à Europa e nas atividades ligadas à mineração ilegal de ouro na Amazônia.

Para Uchôa, o grupo brasileiro apresenta hoje um modelo mais estruturado e empresarial do que os cartéis mexicanos. “O PCC funciona como uma organização descentralizada, com divisão de funções e poder diluído. Isso o torna mais resiliente a operações que miram lideranças específicas”, avalia. Ele cita como exemplo Marcola, preso há décadas e ainda assim incapaz de desarticular o funcionamento da facção.

O especialista sustenta que, diferentemente do confronto direto travado por cartéis mexicanos contra o Estado — com ataques a aeroportos e áreas urbanas —, o PCC teria adotado uma estratégia mais pragmática. A violência, segundo ele, passou a ser utilizada de forma calculada, como instrumento para manutenção de poder e envio de recados pontuais, evitando embates abertos que prejudiquem os negócios.

Além do tráfico, Uchôa destaca que o CJNG vinha ampliando presença em atividades ilegais na América do Sul, incluindo a exploração de ouro e o comércio de mercúrio em áreas da Amazônia. Com a possível desarticulação do cartel mexicano, organizações criminosas locais poderiam buscar novos parceiros logísticos — e o PCC desponta como alternativa.

O pesquisador também afirma que o vácuo deixado por grandes lideranças no crime organizado tende a ser rapidamente ocupado. No entanto, modelos altamente centralizados — como os que marcaram a trajetória de Pablo Escobar e Joaquín Guzmán — demonstram maior vulnerabilidade quando seus chefes são presos ou mortos.

Para ele, o Brasil enfrenta desafios significativos caso o PCC amplie ainda mais sua atuação internacional. Embora reconheça a experiência da Polícia Federal no combate ao crime organizado, Uchôa aponta limitações estruturais e lacunas legislativas que dificultam atingir os níveis superiores das organizações — sobretudo em áreas como sistema financeiro e infiltração política.

No cenário internacional, a morte de El Mencho também fortalece o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defende classificar cartéis como organizações terroristas. Para o pesquisador, ações violentas de retaliação por parte do CJNG podem reforçar essa narrativa e ampliar a pressão norte-americana sobre o México.

Apesar disso, Uchôa avalia que a chamada “guerra às drogas” não tem alterado de forma estrutural o problema. “O mercado consumidor continua ativo e o fluxo de armas persiste. A eliminação de um líder gera impacto simbólico, mas não resolve a engrenagem do crime organizado”, conclui.

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Foto: Reprodução/Instagram

Alexandre Bueno

Jornalista/Editor Geral


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